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Tive o privilégio de fazer parte da Banca de Entrevistadores do Programa Roda Viva (TV Cultura) com o (meu) historiador (predileto), o Prof. Robert Darnton.

Para eternizar esse momento (para mim), deixo aqui a entrevista em vídeo. Basta clicar na imagem e assistir!

Programa Roda Viva, TV Cultura, 24/09/2012

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Cordão da Mentira desfila pelas ruas de São Paulo

Composto por coletivos políticos, grupos de teatro e sambistas, Cordão da Mentira questionará quem e quais são os interesses que bloqueiam uma real transformação da sociedade brasileira

30/03/2012

 

Da redação

Será realizado neste domingo (1º), em São Paulo, o desfile do Cordão da Mentira. Composto por coletivos políticos, grupos de teatro e sambistas de diversos grupos e escolas da capital paulista, o Cordão da Mentira questionará quem e quais são os interesses que bloqueiam uma real transformação da sociedade brasileira.

O desfile ocorrerá no Dia da Mentira e do Golpe Militar de 1964. A concentração será às 11h30, em frente ao Cemitério da Consolação.

Em seguida, o cordão passará pela rua Maria Antônia, onde estudantes da Universidade Mackenzie, dentre eles integrantes do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), entraram em confronto com alunos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Um estudante secundarista morreu.

Depois os foliões-manifestantes seguem para a sede da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), uma das organizadoras da “Marcha da Família com Deus, pela Liberdade”, que 13 dias antes do golpe convocava o exército para se levantar “contra a desordem, a subversão, a anarquia e o comunismo”.

Depois de passar pelo Elevado Costa e Silva –que leva o nome do presidente em cujo governo foi editado o AI-5, o mais duro dos Atos Institucionais da ditadura– o bloco seguirá pela alameda Barão de Limeira, onde está a sede do jornal Folha de S.Paulo. Segundo Beatriz Kushnir, doutora em história social pela Unicamp, a Folha ficou conhecida nos anos 70 como o jornal de “maior tiragem” do Brasil, por contar em sua redação com o maior número de “tiras”, agentes da repressão.

A ação da polícia na Cracolândia, símbolo da continuidade das políticas repressivas no período pós-ditadura, bem como o Projeto Nova Luz, realizado pela Prefeitura de São Paulo, serão alvos dos protestos durante a passagem do cordão pela rua Helvétia.O cordão dispersará na antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), na rua General Osório.

R. Maria Antônia – Guerra da Maria Antônia

Av. Higienópolis – sede da TFP

R. Martim Francisco

R. Jaguaribe

R. Fortunato

R. Frederico Abranches

Parada no Largo da Santa Cecília

R. Ana Cintra – Elevado Costa e Silva

R. Barão de Campinas

R. Glete

R. Barão de Limeira – jornal Folha de S.Paulo

R. Duque de Caxias – Cracolândia/Projeto Nova Luz

R. Mauá

Dispersão:

R. Mauá com a R. General Osório – antigo prédio do Dops 

Leia aqui o manifesto das entidades que compõem o Cordão da Mentira:

(FSP, 4/3/2012)

O quarto Augusto

Rio de Janeiro, 1979

MARCOS AUGUSTO GONÇALVES, 55, é editorialista e repórter da Folha, é autor do livro “1922 – A Semana Que Não Terminou” (Companhia das Letras).

“A PRIMEIRA VEZ que vi Ana Cristina Cesar foi numa reunião de jornalistas e intelectuais no apartamento de Julio Cesar Montenegro, no bairro do Humaitá, no Rio. O ano era 1977, eu tinha 21, ela 25.

O objetivo do encontro era discutir a criação de um jornal alternativo que se chamaria “Beijo”, título que não lembrava em nada os dos semanários politizados e progressistas daqueles tempos, como “Movimento” ou “Versus”.

Fui à reunião a convite de Ítalo Moriconi Jr., amigo de curso de letras da PUC – eu na graduação, ele na pós – e de movimento estudantil. Eu fazia parte de uma corrente que começava a ganhar posições do Partidão nos diretórios acadêmicos da universidade.

À sombra desse grupo atuava uma “organização de combate marxista-leninista” que, na definição de um amigo divertido, era “estupidamente de esquerda”.

Basta dizer que rejeitávamos a palavra de ordem “pelas liberdades democráticas” por ser burguesa. Acreditávamos que a ditadura cairia e daria lugar a um governo de transição para o socialismo. E, claro, éramos pelo voto nulo nas eleições que viriam em 1978.

Nisso estávamos em sintonia com os trotskistas da Liberdade e Luta, corrente relativamente forte em São Paulo, mas insignificante no Rio. Não por acaso, naquela noite, no apartamento do Humaitá, havia uma turminha da Libelu.

A maioria daquelas pessoas era formada por ex-colaboradores da seção de cultura do semanário “Opinião”, que havia sido extinto. Montenegro era o provocativo e brilhante editor que havia atraído para o jornal uma turma esperta e sofisticada, bem diferente dos padrões da esquerdona cultural.

A ideia era encarar temas recalcados no debate de esquerda, como homossexualidade e repressão nos países socialistas. Eu, que já não aguentava o dogmatismo da militância, fiquei fascinado.

As pautas do “Beijo” eram aprovadas em “assembleias” nas quais votavam os cerca de 40 “diretores” do jornal – todos que venderam assinaturas para subsidiar a empreitada, que durou sete meses. Entre eles, Rodrigo Naves, Ronaldo Brito, José Castello, Kátia Muricy, Roberto Ventura, Waltercio Caldas, Paulo Venâncio Filho e Matinas Suzuki Jr.

Os meninos falavam bastante de Ana. E as meninas também. Que era bonita, culta e talentosa.

Com o tempo, fomos nos conhecendo. Em 1978 – ano de “Muito”, de Caetano Veloso, e de “O Astro”, de Janete Clair, que ela amava – começamos um namoro. Ela foi cursar o mestrado de Comunicação na UFRJ, com Heloisa Buarque de Hollanda, e me incentivou a fazer o mesmo.

Às vezes me sentia um bárbaro perto daquela moça de olhos azuis, educação protestante, angustiada, mas divertida e sedutora, que recitava Mallarmé em francês, lia Jack Kerouac e gostava de Roberto Carlos.

Entre licenças poéticas, ficamos até 1980, quando ela foi a Essex fazer uma pós em tradução. Morávamos em Copacabana, íamos à praia em Ipanema, passávamos fins de semana no sítio da família dela, em Penedo, ou na casa de Heloisa Buarque, em Búzios.

Em 1979, ela lançou seu primeiro livro, “Cenas de Abril”, numa fina edição de autor. Guardo o exemplar com a dedicatória, em tinta rosa, já borrada: “Com doçura, Ana C.” Dois poemas aludiam à nossa convivência. Um deles dizia: “Este é o quarto Augusto. Avisou que vinha. Lavei os sovacos e os pezinhos. Preparei o chá. Caso ele me cheirasse… Ai que enjoo me dá o açúcar do desejo”.

Quarto Augusto?! Não gostei muito. O outro foi escrito por ocasião do Natal de 1978, quando ela foi me encontrar no apartamento de meus pais. Tinha comprado um sapato novo, “um bico fino que anda feio” e que a levava “indesejável pra perto das botas pretas”.

Ana passou um ano na Inglaterra e voltou de cabelo curtinho, gostando do Police. Não retomamos. Nos encontrávamos de vez em quando pelo Rio.

Uma noite, num bar do Leblon, alguém disse que ela tinha entrado no mar à noite, numa suposta tentativa de suicídio. Pensei em visitá-la, mas a situação parecia complicada. Resolvi esperar.

Em 29 de outubro de 1983, ela se foi. No próximo dia 2 de junho Ana C. faria 60 anos. Como seria?”

Uma homenagem ao meu querido amigo Geraldo Iglesias, que me apresentou o mundo dos blogs, nos idos de 2005/6. Ele nos deixou essa semana, mas a narrativa abaixo, contada por ele para mim, algumas vezes, é a que me ficará para sempre

… dos carnavais…

Publicado 23/05/2010 r G.

 TIVE uma profunda relação com o carnaval quando trabalhava com o arlindo rodrigues. ele era um mestre diligente em seu processo de criação, minimalista às vezes. foi na prancheta dele que esbocei meus primeiros desenhos de planos de imagens. ele discutia meus story boards, desenho por desenho. tinha paciência infinda em me ouvir explicar o porquê das posições das câmeras.

tempos depois o haroldo costa me revelava bastidores da montagem do orfeu, do vinícius porque eu estava roteirizando um documentário que dirigi posteriormente chamado ‘em verdade, vinícius’. o haroldo é híbrido, transita vários caminhos e se refaz depois através dos seus comentários.
no ano de 1983 eu conheci o diretor alcino diniz e pedi para produzir eventos na recém nascida tv manchete. o que eu não esperava era que desse o rolo que deu no ano seguinte, 84, quando a globo resolveu não cobrir o carnaval em oposição ao brizola e à inauguração do sambódromo.

me peguei percorrendo todo o sambódromo, fazendo o mapeamento de onde ficariam as câmeras, os comentaristas e toda a parafernália de cobertura de um carnaval. saiu na revista manchete uma foto nossa (eu e alcino) de página dupla, caminhando na pista. achei engraçado. daí eu sentei numa sala de reunião com o jaquito e o alcino (tinham mais pessoas que não lembro, ah, o geraldo matheus!) e ficou acertado que cobriríamos todos os bailes importantes da cidade e o desfile das escolas.

a manchete não tinha todos os recursos e a gente saía muito na porrada pra conseguir as coisas. fizemos camisas amarelas para a equipe e crachás rodados na gráfica da revista (que imprimia também na época os folhetos da loteria esportiva, olha que doideira…)… a coisa tomou rumo e, muito antes do carnaval, eu já estava dirigindo um programa chamado ‘esquentando os tamborins’ que cobria os barracões e os ensaios na quadra das escolas. nesse programa tinha outro diretor: o jacy campos.

em paralelo, o roteirista eloy santos me propôs fazermos uma documentário sobre o Zé Ketti na TVE. daí eu me aproximei do zé ketti também e passei o pão que o diabo amassou com ele que começava a beber no início das filmagens e numa hora lá eu tinha que parar porque o zé estava bêbado. um dia, estava gravando um quadro com o zé, ele se embriagou e foi dormir na casa de uma mulher num subúrbio… no dia seguinte estávamos no estúdio gravando o quadro (que tinha continuidade). nos ensaios o zé declamava e cantava e eu sentia que havia uma coisa muito errada, mas não descobria o que era.

aquilo me encucou demais. comecei a gravar logo na tve porque à noite eu ia dirigir a filmegem da manchete numa quadra de escola com o joãosinho 30. foi aí que eu percebi! o zé ketty esqueceu os dentes postiços superiores na casa da mulher!…. os sambistas que andavam com ele começaram a telefonar para todas as mulheres pra saber em qual casa a dentadura tinha ficado…o zé não lembrava. o tempo passava, meu horário de estúdio ia terminando e acabei sendo obrigado a gravar com o zé de qualquer jeito. botei uma grua porque, enquadrado por cima, se percebia menos a ausência dos dentes.

nesse programa tinha uma cantora que me deliciava, andávamos juntos para cima e para baixo. um dia o alcino mandou eu chamar uma comentarista, historiadora e tal (não era a maria augusta) para uma reunião. pois essa mulher era homônima da cantora… putz… a mulher (cantora) atendeu a convocação e chegou na sala. o alcino me fuzilou com os olhos rs… chamei a pessoa errada….

poucos dias depois eu tive que sentar numa mesa de bar com o pamplona. era tudo regado a muito uísque e o pamplona esbravejava contra o sambódromo, o niemayer e o brizola. mas ele tem um carinho paternal por mim e foi lá ser o comentarista nos desfiles.
montaram uma estrutura enorme no estúdio B da praia do rússel e lá estávamos nós, em frente à mesa de corte e às comunicações entre caminhões de externa na avenida, pequenas unidades nos clubes, mais o controle mestre da rede…. um rolo só.

acontece que o adolpho bloch, já que era dono de tudo, resolveu chamar a família e amigos para assistirem a transmissão justo de lá, do corte. toda a equipe de operações, técnicos, produtores e diretores… e a platéia do adolpho atrás, falando, comentando, dando palpites.
a gente tinha que prestar atenção a muita coisa ao mesmo tempo e aquela balbúrdia atrás era uma coisa de louco, mas o adolpho era o dono!

eu e o alcino nos falávamos pelos fones, cada um pilotando lá sua geringonça, ele o diretor geral, claro. ele me olhava desesperado, indagando o que podíamos fazer naquela situação. alcino me disse entredentes: eu não tô aguentando mais, garotinho…. falei pra ele se acalmar.
quando a primeira escola se posicionou na concentração, quando ia começar o desfile, para surpreza geral, o alcino levantou, socou a mesa, disse que assim não dava e mandou o bloch sair com toda aquela gente.

todo mundo ficou branco. pronto! estávamos todos, a começar pelo alcino, demitidos por justa causa! foram segundos de um silêncio sepulcral… ouvíamos o coração do outro pulando…
o adolpho levantou, chamou o grupo todo e saiu da sala de corte. o desfile estava começando e ele não podia fazer nada, era a inauguração da manchete!!!

pensei que ao final do carnaval o adolpho ia demitir todo mundo, mas ele fez exatamente o contrário: nos contratou por anos para dirigir sempre os carnavais da manchete (que foram mesmo memoráveis)

Uno de cada cinco alemanes no sabe lo que pasó en Auschwitz | Cubadebate.

“Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco. Há no ar um certo queixume sem razões muito claras.
Converso com mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todas com profissão, marido, filhos, saúde, e ainda assim elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem. De onde vem isso?
Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia: ‘Eu espero/ acontecimentos/ só que quando anoitece/ é festa no outro apartamento’ .
Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite. É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são, ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho.
As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias. Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim.
Ao amadurecer, descobrimos que estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente. Só que os motivos pra se refugiar no escuro raramente são divulgados pra consumo externo.
‘Todos são belos, sexys, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores, social e filosoficamente corretos. Parece que ninguém, nenhum deles, nunca levou porrada. Parece que todos têm sido campeões em tudo’.
Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta. Nesta era de exaltação de celebridades – reais e inventadas – fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça.
Mas tem.
Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia. Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores? Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige? Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa? Será bom só sair de casa com alguém todo tempo na sua cola a título de segurança? Estarão mesmo todas essas pessoas realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está em casa, lendo, desenhando, ouvindo música, vendo seu time jogar, escrevendo, tomando seu uisquinho?
Tenha certeza que as melhores festas acontecem sempre dentro do nosso próprio apartamento.”

5772

Um 5772 de generosidade e afeto.

Shaná Tová! שנה טובה

... muro da Sinagoga Remuh (Cracóvia, Polônia), construído a partir de pedaços de lápides do cemitério judaico, destruídas durante a 2 Guerra.