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Archive for the ‘Think about…’ Category

Tive o privilégio de fazer parte da Banca de Entrevistadores do Programa Roda Viva (TV Cultura) com o (meu) historiador (predileto), o Prof. Robert Darnton.

Para eternizar esse momento (para mim), deixo aqui a entrevista em vídeo. Basta clicar na imagem e assistir!

Programa Roda Viva, TV Cultura, 24/09/2012

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Pessach

Cada ano festejamos Pessach porque a liberdade, para os indivíduos e para a sociedade, é sempre uma travessia, nunca um ponto de chegada, e ela só é possível porque se alimenta do exemplo e das lutas das gerações passadas.

Pessach é um momento de reflexão sobre o que nos faz escravos, permitindo que a opressão se instale no nosso interior e nas nossas relações. Por isto festejar a liberdade exige refletir sobre a servidão, sobre o Faraó que cada um leva dentro de si.
 O Farão que só  percebe a si mesmo.

 O  Faraó que deseja que os outros o obedeçam.

 O Faraó que não aceita que cada pessoa é diferente.

 O Faraó que julga antes de  compreender.

 O Faraó que divide tudo em certo e errado.

 O Faraó que fala para não ouvir.

 O Faraó que teme ideias diferentes as suas.

 O  Faraó  que ri dos outros sem ser capaz de rir de si mesmo.

 O Faraó que confunde solidez  com rigidez.

 O Faraó que critica e não aceita ser criticado

Pessach nos lembra de que o poder material, econômico ou político, não deve ser confundido com o poder de ser internamente livre. Porque a liberdade não se compra nem se impõe, só pode ser construída por cada um e na convivência, inspirando-se em exemplos, mas  seguindo caminhos que são sempre singulares. Por isso:

 Só a liberdade nos leva a valorizar perguntas que questionam nossas certezas e a duvidar de  respostas que confirmam nossas crenças.

 Só a liberdade nos permite amar nossos seres queridos sem querer transforma-los em espelhos de nós mesmos.

 Só a liberdade nos permite levar a vida a sério, sem nunca  deixar de brincar.

 Só a liberdade nos permite aprender coisas diferentes que questionam nossas crenças.

 Só a liberdade nos permite entender nossas mudanças e das pessoas que nos circundam.

 Só a liberdade nos ensina que a vida nunca se reduz ou pode ser contida em leis e conceitos aparentemente rigorosos.

 Só a liberdade nos dá o sentido da ironia e do humor.

 Só a liberdade nos permite entender que toda fronteira usada para classificar os outros é precária e que nunca deve ser transformada numa forma de desclassificar.

 Só a liberdade permite que a tradição seja uma fonte de sabedoria e não uma camisa de força.

A afirmação da liberdade é um caminho  que exige rompimentos e distanciamentos de um mundo conhecido e aparentemente seguro.  Mas nada pode eliminar a angustia nem as incertezas. Ou nos refugiamos na repetição mecânica e em crenças cegas que sufocam a curiosidade, fogem do desconhecido e temem o que está fora de nosso controle, ou as transformamos numa energia que nos impele a descobrimentos e que nos faz crescer, transformando a vida num processo de aprendizagem permanente.
Só podemos lutar contra a servidão se enfrentamos o opressor e o oprimido que cada um de nos carrega. Porque a escravidão individual é produzida por traumas que nos deixam inseguros e por medos que nos paralisam e nos transformam em pessoas rígidas e oprimidas.
 Um oprimido que se esconde dele mesmo procurando ser igual ao resto.

 Um oprimido que transforma, por insegurança, o amor em possessão.

 Um oprimido que odeia o que não controla e o que não se ajusta a sua vontade.

 Um oprimido que foge da mudança, no lugar de se enriquecer com ela.

 Um oprimido que teme o futuro e a passagem do tempo no lugar de vivê-lo intensamente.

 Um oprimido que inferioriza os outros para se sentir superior.

 Um oprimido que se refugia em grupos e comunidades em torno das quais cria muralhas que desumanizam os que se encontram fora.
A liberdade pessoal só pode ser plenamente realizada em comunidades que permitem a livre expressão de cada indivíduo. Devemos, portanto, lutar contra toda forma de opressão política e social. Porque o autoritarismo se alimenta do ódio, estigmatiza quem discorda, transforma o opositor em inimigo e os indivíduos em membros de manadas. Lembrando sempre que não há comunidade onde não existe justiça social, pois a pobreza e a miséria geram excluídos.
Porque aspiramos a ser livres, mas nunca nos desprenderemos totalmente dos desejos de opressão, lembramos as grandezas, nem por isso destituídas por vezes de fraquezas, de nossos antepassados. A todos eles, e a todas as pessoas justas de todos os povos e culturas, que fizeram possível que hoje possamos brindar á vida e a liberdade:

Shehechyanu, ve´quimanau ve’higuyanu lazman haze

Que vivemos, que existimos, que chegamos, a este momento”.

Bernardo Sorj

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Ontem, depois de duas horas tentando comprar na ingresso.com [que resolveu atualizar o sistema num ferido prolongado…], fui ver o chatinho “Comer, rezar, amar”. Não recomendo.

Não sei se é o público específico de determinados gêneros de filme, mas constato que se tornou natural por aqui, infelizmente, comentar em voz alta cada cena com o parceiro, atender o celular, e responder rispidamente quando o cidadão ao seu lado, que veio assistir no “escurinho do cinema”, reclama dos modos pouco civilizados.

Ao voltar para casa, meio incrédula da experiência vivida – de grosseria e ausência de gentileza -, li o texto abaixo, que me chegou por e-mail. Tão atual, divido-o por aqui. Grifei umas partes em verde, se me permitem, por me calarem fundo. O pior é que não creio que melhore, mas sim, que piore cada vez mais.

O GLOBO – RIO DE JANEIRO, 02 DE OUTUBRO DE 2010

Bonde do terror, JOÃO XIMENES BRAGA  

“Toda a pessoa que sentir necessidade de contar os seus negócios íntimos, sem interesse para ninguém, deve primeiro indagar do passageiro escolhido para uma tal confidência, se ele é assaz cristão e resignado. No caso afirmativo, perguntar-se-lhe-á se prefere a narração ou uma descarga de pontapés.

Sendo provável que ele prefira os pontapés, a pessoa deve imediatamente pespegá-los. No caso, aliás extraordinário e quase absurdo, de que o passageiro prefira a narração, o proponente deve fazê-lo minuciosamente, carregando muito nas circunstâncias mais triviais, repelindo os ditos, pisando e repisando as coisas, de modo que o paciente jure aos seus deuses não cair em outra.”

O parágrafo acima é de Machado de Assis, na crônica “Como comportar-se no bonde”, de 1883 a.c. (antes do celular), quando o Rio ainda parecia destinado a se tornar uma metrópole civilizada em vez de um balneário de enorme beleza e discutível aprazibilidade. 

A julgar pelo cronista mal-humorado, esse aglomerado de gente mal educada que se autodesigna povo brasileiro — e no mais do tempo se comporta como uma vara de porcos grunhidores — já estava exercendo seu esporte favorito: confundir matraqueado com simpatia. 

Quase 150 anos depois dessa crônica de Machado, já me conformei com o carioca não respeitar o vizinho, seja o do banco do ônibus, o de mesa, o do prédio. O que ainda me causa pasmo é não respeitar a si mesmo. 

Não se trata de não levar em conta a privacidade e a individualidade alheias, mas de não considerar as próprias.

Não interessa se o assunto é familiar, é entre amigos, se é futebol, dinheiro, sexo: a conversa nunca é íntima. Ela é sempre aos berros, mesmo pelo celular. O grande lema do carioca é sempre se expor ao ridículo em altos decibéis, não importa se há alguém ouvindo na janela logo acima ou na mesa ao lado. É um reality show diário enfiado goela do espectador abaixo, sem a opção de mudar de canal ou ler um livro. 

O segundo lema do carioca é: se não há ninguém com quem falar, assovie desafinadamente. Assim você continua sendo barulhento e desagradável, mas pode dizer pra todo mundo que é gente boa porque gosta de samba e bossa nova.

O carioca só é suportável de iPod. Machado ainda não sofria com celulares e não tinha a proteção do iPod, e certamente não foi obrigado a passar na calçada diante do Rio Design Center.

O centro de compras no Leblon se acha no direito de instalar caixas de som sob sua marquise. Se você é cliente, azar o seu, entrou lá por sua conta e risco, que seja massacrado por uma lounge music de péssimo gosto. Mas quem está na calçada não tem nada a ver com isso. 

O exemplo do Rio Design é o mais grotesco, mas não é único. Há vários restaurantes pela cidade que espalham caixinhas de som vagabundas pela área externa, agredindo os transeuntes. 

Música ambiente em espaço interno é igual a TV em bar, problema de quem está disposto a consumir sofrendo.

Na rua, devia ser motivo para o dono do estabelecimento ser preso e exposto de cuecas na Praça XV para levar cusparadas dos passantes. 

Pior é admitir que é uma deformação cultural. Como não se tem noção de individualidade, não se compreende que gosto musical é pessoal.

 A quintessência disso é a jequice das academias locais, que pararam naquele conceito de academia boate dos anos 80. Hoje, se você vai a qualquer academia de uma cidade civilizada em país idem, o som ambiente, se existe, é baixíssimo, é cada um com seu MP3. Na Zona Sul do Rio, toda academia cara e metida a besta obriga seu cliente a ouvir música de boate gay de Madureira, custe o que custar, doa a quem doer. 

O carioca só é suportável de iPod. Na academia, nem assim. 

Triste toda vida na citação é nos lembrar que em 1883 o transporte público no Rio era melhor”.

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O desempenho sofrível das principais seleções européias vêm despertando sentimentos que a maioria preferia esquecer (William Waack, Jornal da Globo, 24/6/2010).

Copa do Mundo arranca do fundo muitas lembranças. Desde 1970, quando perdeu do Brasil por 4 a 1 na final, nunca a Itália tomara três gols. Má preparação psicológica, admitiu o treinador Lippi. De fato, a Itália em campo parecia a Itália mergulhada há anos em crise, cheia de dúvidas, incapaz de se articular. Na França a volta dos derrotados foi cercada de comparações, feita pelo ‘Le Monde’, por exemplo, com a catástrofe francesa de 1940, na Segunda Guerra Mundial e por severas críticas, carregadas de lembranças, aos jogadores. A tropa de azul, branco e beur, para árabe, é aplaudida como francesa quando vence, mas, quando perde, vira um bando de africanos de nacionalidade francesa, oriundos da Banlieu, do subúrbio pobre desvinculado dos valores nacionais. Um grupo multi-étnico levou a Alemanha as oitavas, alcançada com o gol de um filho de turcos que lê o corão antes de entrar no campo. Mas a Alemanha venceu pois jogou como a velha Alemanha, afirma boa parte da imprensa, ou seja, porque um turco aprendeu a jogar como um alemão. No caso da Inglaterra, a Copa faz ressurgir sentimentos que vem ainda de mais longe, e mais fundo. É só constatar a motivação dos ingleses para o clássico de domingo contra a Alemanha, tem até a ver com futebol. Mas nenhum jogador dirá que duas guerras não foram esquecidas.”

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contos de fadas

Conto de fadas para mulheres do séc. 21:

  • Era uma vez uma linda moça que perguntou a um lindo rapaz: – Você quer casar comigo? Ele respondeu: NÃO! E a moça viveu feliz para sempre, foi viajar, fez compras, conheceu muitos outros rapazes, visitou muitos lugares, foi morar na praia, comprou outro carro, mobiliou sua casa, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava nada, bebia cerveja com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela. O rapaz ficou barrigudo, careca, o pinto caiu, a bunda murchou, ficou sozinho e pobre, pois não se constrói nada sem uma MULHER.

FIM!!! (Luís Fernando Veríssimo)

 

  • Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então, a rã pulou para o seu colo e disse: – Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre… E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:

 – Nem fo….den…do! FIM!!! (Luís Fernando Veríssimo)

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Em 11/11/1970, foi editado o Decreto n° 69.534, que autorizava a edição de decretos secretos. A ditadura civil-militar acabou, mas esse como outros decretos, não foram revogados…

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Há 20 anos, o Brasil conhecia sua nova Constituição. Foram quase 19 meses de trabalho de 559 parlamentares (deputados e senadores), milhares de funcionários e a participação popular, quer na apresentação de sugestões para a elaboração da nova Carta Magna, quer nas lutas diárias por novas conquistas. O sonho da nova Constituição, de romper as regras estabelecidas no regime civil-militar do pós-1964, teve início na campanha pela redemocratização e ganhou força na caminhada de Tancredo Neves à Presidência da República. Neste momento, se sonhou com uma nova Constituição. Trancredo Neves morreu sem participar de tudo isso. E neste palco de tragédias, coube ao seu sucessor, José Sarney, convocar a Constituinte.

O Congresso Nacional, personificado em Ulysses Guimarães, anunciou a nova Constituição brasileira, na tarde de 5 de outubro de 1988, exatamente às 15h54. Presidente da Assembléia Nacional Constituinte, o deputado Ulysses Guimarães (PMDB/SP), a promulgou, quando pronunciou: “Declaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil”.

Instalada no dia 1º de fevereiro de 1987, a Constituinte começou com uma disputa pela presidência, entre os deputados Ulysses Guimarães e Lysâneas Maciel (PDT/RJ), refletindo a divisão que iria marcar toda a sua trajetória, até a promulgação, entre as correntes de direita, centro-direita e esquerda polarizadas na Assembléia. Os centro-direitistas venceram e elegeram Ulysses, por 425 votos contra 69 e 28 em branco. Durante os meses de trabalho da Constituinte, foram realizadas 341 seções e 1029 votações. A média de freqüência dos deputados e senadores nas votações foi de 70,68%. Nas seções, a média de freqüência atingiu 77,88%.

Uma das grandes polêmicas no início dos trabalhos da Assembléia foi para decidir se um terço (24) dos 72 senadores que foram eleitos quatro anos antes da Constituinte deveriam ou não participar do processo de elaboração da nova Carta. No fim, eles também se tornaram constituintes, embora não tenham sido eleitos com essa finalidade. A derrota da campanha pelas “Diretas-Já”, que previa eleição pelo voto popular do presidente da República, em 1984, transferiu as expectativas populares das ruas para o Plenário da Câmara dos Deputados. Vinte anos depois, muitas de suas promessas não se efetivaram. O pacto de cidadania ainda há de percorrer estradas…

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